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Carta De Salvador

 


Carta De Salvador

Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS: 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizado nos dias 28 e 29 de setembro de 2026, na cidade de Salvador-BA, com organização do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/|Fiocruz) e Outra Saúde.  

       O SUS constitui um patrimônio do povo brasileiro, construído ao longo de mais de três décadas, em um processo marcado por avanços e retrocessos em função das mudanças de condução ao longo dos diversos governos que se sucederam nesse período. Dois dos principais entraves são o subfinanciamento crônico e a tendência à privatização da gestão dos serviços. Chamamos a atenção para a problemática relação público-privado e a tendência à manutenção da hegemonia do modelo de atenção médico-assistencial hospitalocêntrico. A resultante desse confronto tem configurado um sistema de saúde híbrido, tal como ocorre, presentemente, em muitos sistemas de saúde do mundo – distante do que foi pensado pela Reforma Sanitária Brasileira. A isso se soma um elemento estruturante da formação social brasileira: o racismo. Ele opera como determinante das condições de vida e de saúde da população negra, indígena, cigana e outros segmentos, produzindo desigualdades que atravessam o acesso, a qualidade do cuidado e a própria organização dos serviços.

       Ao revisitar esse percurso, destacamos a importância da mobilização e participação social na defesa da Democracia, do Direito à Saúde e da soberania nacional, resgatando as origens do movimento pela Reforma Sanitária Brasileira, na luta pela redemocratização do país. Relembramos ainda que, naquela quadra histórica, o movimento negro foi um dos que contribuiu decisivamente para as vitórias alcançadas, a exemplo da exigência da “estatização da saúde” feita pela Convenção Nacional do Negro pela Constituinte em 1986. Movimentos negros, feministas, indígenas, quilombola, romani e experiências comunitárias produziram práticas de cuidado e formularam reivindicações que precisam ocupar lugar na memória da Reforma Sanitária Brasileira. Recuperar essas contribuições amplia os sujeitos, os saberes e as experiências reconhecidos como constitutivos desse projeto e abre caminhos para pensar o futuro do SUS.

       Destacamos a importância que tem, hoje, a articulação do conjunto de movimentos sociais que constituíram a Frente pela Vida (FpV) no período da pandemia de covid-19 e enfrentaram o negacionismo que caracterizou o governo federal naquele período. Enfatizamos a ação da FpV, que deu continuidade ao debate e à defesa da Democracia e do SUS, através da revitalização das Conferências de Saúde, a partir da organização da 1ª Conferência Livre, Democrática e Popular de Saúde, em 2022, e de sua 2ª edição, realizada em agosto deste ano. Acreditamos na importância de garantir que a 18ª Conferência Nacional de Saúde seja um espaço efetivamente potente, capaz de propor uma agenda de lutas que incida sobre os planos de Estado, assegurando uma direção popular para as políticas de saúde.

       A sociedade brasileira se depara, no momento atual, com dois projetos diante de si. Apenas um deles é capaz de abrir espaço para avançar na construção do SUS pensado pela Reforma Sanitária. Ainda assim, é necessário manter o exercício da crítica e fortalecer a atuação político-ideológica junto aos movimentos sociais e à sociedade. A atuação política e ideológica do movimento da reforma sanitária e dos seus parceiros permite o exercício da contra-hegemonia. É preciso defender um projeto que busque atender às necessidades da população e que se vincule à noção do Comum, contra a mercantilização da vida.

       Nesse sentido, antigas e novas pautas precisam ser retomadas. Reforçamos algumas delas:

1. Garantia do financiamento público da Saúde estável e suficiente, contra a noção de ajuste fiscal e da falsa necessidade de estrangulamento do gasto público. É preciso interromper o processo acelerado de privatização do SUS e revertê-lo, em especial no que diz respeito à gestão privada da atenção à saúde e aos enormes benefícios fiscais oferecidos ao setor empresarial;

2. Fortalecimento da luta antirracista, dos direitos dos povos indígenas, negros, romani, garantindo justiça social e de equidade real para que tenham enfim acesso integral ao cuidado e a uma vida digna, respeitando e valorizando as populações tradicionais;

3. Valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores da saúde, enfrentando a superexploração da força de trabalho e priorizando a criação da Carreira de Estado Única para o SUS;

4. Defesa da educação pública como pilar indissociável do direito à saúde, contra a precarização do ensino e a mercantilização da formação. É preciso valorizar a universidade pública como espaço de pensamento crítico e articular saúde e educação em um projeto comum de formação cidadã e comprometida com o SUS;

5. Luta pelo fortalecimento da comunicação e educação em saúde, garantindo financiamento público adequado, alinhamento aos princípios do SUS e valorização da comunicação dos movimentos sociais e do povo organizado, além do combate à desinformação e às fake news;

6. Fortalecimento da soberania popular de tecnologia em saúde, formulando um projeto nacional para o setor que enfrente o problema da dependência, ofereça uma resposta à crise climática e promova a cooperação e o internacionalismo entre os povos do Sul Global.

       Ademais, superar as contradições e tendências que distanciam o SUS do projeto da Reforma Sanitária implica, além de travar as lutas conjunturais, revisitar as utopias passadas e imaginar utopias futuras.

       Implementar um SUS comprometido com a dignidade da pessoa humana, com a equidade, a integralidade, a acessibilidade, a soberania popular, a autonomia das pessoas, a qualidade e participação social, implica reafirmar a concepção de saúde que transcende a medicalização e considere a determinação racial, social, ambiental e cultural, o compromisso com a redução das desigualdades, a emancipação dos sujeitos e a reinvenção do socialismo democrático.

VIVA O SUS!

VIDA LONGA AO MOVIMENTO DA REFORMA SANITÁRIA BRASILEIRA EM DEFESA DA DEMOCRACIA, DO DIREITO UNIVERSAL À SAÚDE, DA SOBERANIA NACIONAL E DO SOCIALISMO.

Fizemos parte dessa conquista. Elisa Costa (AMSK/Brasil), Sophia Rosa Benedito (IMS/Uerj), Vanessa Pataxó (Col. Vozes Indígenas na Saúde Coletiva) e Yeimi López (ISC/UFBA) para refletir sobre as lutas e desafios pela garantia do direito à saúde das populações negra, indígena e Romani/cigana no Brasil.

https://outraspalavras.net/outrasaude/a-carta-de-salvador-e-o-futuro-do-sus/

O SUS VENCEU - VENCEMOS TODOS

 


Nessa eleição histórica de 25 de outubro de 2026, Venceu o sus – sistema único de saúde, venceu o povo pobre e humilde, venceu as mulheres que lutam contra a retirada cotidiana de seus direitos, as condições de trabalho, a jornada tripla, o agravo das doenças pelo aquecimento global – venceu a vida – contra o negacionismo e a privatização da saúde. Ganhou o SUS das infâncias – das vacinas e do registro civil nas maternidades.

Ganhou o SUS que a maioria das pessoas desconhece – o SUS do SAMU;

SAMU 192. Sabe aquele acidente? É o Samu que vai lá ... 

Unidades de Pronto Atendimento (UPA). 

Internações hospitalares. Unidades de terapia intensiva (UTI), conforme indicação clínica e disponibilidade regulada. Atendimento a acidentes e situações que ameaçam a vida.

O SUS do transplante 

O Brasil possui o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que coordena a doação e a distribuição de órgãos e tecidos e administra as listas de espera.

  • Lista informatizada e monitorada pelo sistema público.

  • Critérios técnicos de compatibilidade, gravidade clínica, regionalização e tempo de espera, conforme as regras aplicáveis.

  • Coordenação da distribuição de órgãos entre estados e, quando necessário, em âmbito nacional.

  • Acompanhamento da situação individual pelo paciente.

Fonte: Ministério da Saúde.

Por que é extraordinário? Porque a distribuição de órgãos não deve depender da riqueza, de relações pessoais ou de quem pode pagar mais. O sistema estabelece critérios clínicos e regras públicas para organizar o acesso ao transplante.

O SUS do Banco de leite humano; (referencia mundial)

O Brasil desenvolveu uma rede de referência internacional em Bancos de Leite Humano, coordenada tecnicamente pela Fiocruz, por meio do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira.

  • Recebe doações de leite materno.

  • Realiza seleção, processamento, controle de qualidade e distribuição.

  • Prioriza recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados, conforme indicação clínica.

  • Oferece apoio e orientação à amamentação.

Por que é extraordinário? Porque transforma uma doação voluntária em um recurso biológico rigorosamente controlado, capaz de contribuir para a sobrevivência e a recuperação de recém-nascidos vulneráveis.

O SUS da vacinação – do Zé gotinha.

Programa Nacional de Imunizações (PNI)


O SUS oferece vacinação gratuita em todas as fases da vida, conforme o Calendário Nacional de Vacinação e as indicações para grupos específicos.

  • Vacinas para bebês, crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes.

  • Campanhas nacionais de vacinação.

  • Vacinas para pessoas com condições clínicas especiais, por meio dos serviços de referência.

  • Vigilância da segurança e monitoramento das coberturas vacinais.

O que torna esse serviço extraordinário?

O Brasil mantém uma política pública nacional de imunização há décadas, articulando União, estados, Distrito Federal e municípios para prevenir doenças, evitar mortes e proteger coletivamente a população.

Você pode consultar o Calendário Nacional de Vacinação do SUS.

Por que isso é extraordinário?

O SUS reúne, em um único sistema público, serviços que em muitos países dependem de seguros privados, capacidade de pagamento ou diferentes estruturas de acesso. Seu princípio é que a saúde é um direito de todas as pessoas, e não um privilégio de quem pode pagar.

Três aspectos merecem destaque:

  • Universalidade: o direito ao atendimento não depende de a pessoa possuir plano de saúde ou contribuir previamente para a Previdência Social.

  • Integralidade: a saúde compreende prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados continuados.

  • Responsabilidade coletiva: além do atendimento individual, o SUS atua na vacinação, na vigilância sanitária e na prevenção de riscos que atingem toda a sociedade.

o SUS não é apenas uma rede de hospitais. É uma das maiores estruturas públicas de proteção à vida, que combina assistência individual, prevenção e saúde coletiva. E reconhecer sua dimensão extraordinária não impede criticar filas, desigualdades territoriais, falta de profissionais e barreiras de acesso — pelo contrário, permite exigir que esse direito seja efetivamente garantido.

Por isso ele é maravilhoso - O SUS É HUMANO.

O SUS É DOS BRASILEIROS E SE VOCÊ É EXTRANGEIRO, A GENTE TAMBÉM CUIDA DE VOCÊ.

AMSK/Brasil - Pelo SUS, POR TOD@S NÓS.


 


Nos Homeopatas dos Pés Descalços, acreditamos que cuidar é um ato de presença, escuta e humanidade. É reconhecer que a saúde não se limita à ausência de doença, mas envolve bem-estar físico, emocional, social e espiritual. Nesse caminho, a participação no curso de Práticas Integrativas e Complementares da UNINTER (porque conhecemos a seriedade do curso) representa uma oportunidade valiosa de aprofundar conhecimentos sobre abordagens terapêuticas que dialogam com a integralidade do cuidado e com o respeito às singularidades de cada pessoa.

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), reconhecidas e ofertadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliam as possibilidades de promoção da saúde, prevenção de agravos e apoio aos tratamentos convencionais. Ao valorizar saberes diversos e estratégias de cuidado baseadas no acolhimento e na autonomia dos indivíduos, essas práticas têm alcançado milhares de pessoas em todo o país, contribuindo para uma assistência mais humanizada e centrada nas necessidades reais das comunidades.

Para os Homeopatas dos Pés Descalços, falar sobre as PICS é reafirmar que o cuidado deve estar ao alcance de todos, independentemente de sua condição social ou do lugar onde vivem. É defender uma medicina que caminhe ao lado das pessoas, que escute suas histórias e reconheça a importância de práticas que promovam equilíbrio, qualidade de vida e fortalecimento dos vínculos comunitários. Assim como os pés descalços nos lembram da conexão com a terra e com a nossa própria humanidade, o cuidado em saúde precisa permanecer acessível, ético e profundamente comprometido com a dignidade humana.

Seguimos acreditando que conhecimento compartilhado transforma realidades. Ao ampliar nossa formação e compreender melhor as práticas integrativas e complementares, fortalecemos a construção de uma saúde mais inclusiva, acolhedora e plural — onde o bem-estar e a possibilidade de cuidar e ser cuidado sejam direitos efetivamente ao alcance de todos. 🌿✨

Mas, afinal, quais são essas práticas regulamentadas e reconhecidas pelo SUS? Por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), o Sistema Único de Saúde incorporou diferentes abordagens terapêuticas que atuam na promoção da saúde, prevenção de agravos e apoio aos tratamentos convencionais, sempre considerando o cuidado integral e humanizado das pessoas.

Entenda quais são as práticas integrativas e complementares reconhecidas pelo SUS e como elas podem contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida da população:

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) abrangem diferentes abordagens terapêuticas voltadas à promoção da saúde, prevenção de agravos e cuidado integral das pessoas. Atualmente, o SUS reconhece 29 práticas, incorporadas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Práticas Integrativas e Complementares reconhecidas pelo SUS:

  • Apiterapia
  • Aromaterapia
  • Arteterapia
  • Ayurveda
  • Biodança
  • Bioenergética
  • Constelação Familiar
  • Cromoterapia
  • Dança Circular
  • Geoterapia
  • Hipnoterapia
  • Homeopatia
  • Imposição de Mãos
  • Medicina Antroposófica/Antroposofia Aplicada à Saúde
  • Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura
  • Meditação
  • Musicoterapia
  • Naturopatia
  • Osteopatia
  • Ozonioterapia
  • Plantas Medicinais e Fitoterapia
  • Quiropraxia
  • Reflexoterapia
  • Reiki
  • Shantala
  • Terapia Comunitária Integrativa
  • Terapia de Florais
  • Termalismo Social/Crenoterapia
  • Yoga

Essas práticas não substituem os tratamentos convencionais quando estes são necessários, mas podem atuar de forma integrada e complementar, contribuindo para o alívio de sintomas, redução do estresse, promoção do autocuidado, fortalecimento dos vínculos terapêuticos e melhoria da qualidade de vida.

Para os Homeopatas dos Pés Descalços, conhecer essas práticas é também reconhecer que o cuidado pode assumir diferentes formas, sempre fundamentado na ética, na segurança e no respeito às necessidades de cada pessoa. O SUS, ao incorporar essas abordagens, reafirma o compromisso com uma saúde mais humanizada, integral e acessível, onde o bem-estar e a medicina possam estar verdadeiramente ao alcance de todos. 🌿💚

Embora as Práticas Integrativas e Complementares contribuam para a promoção da saúde e do bem-estar, é fundamental que sejam realizadas por profissionais devidamente qualificados e capacitados. A formação adequada garante que essas práticas sejam aplicadas com responsabilidade, segurança e respeito às necessidades específicas de cada pessoa, considerando suas condições de saúde e os tratamentos que eventualmente já estejam em curso.

Buscar profissionais qualificados é uma forma de proteger a própria saúde e assegurar que o cuidado oferecido esteja alinhado com princípios éticos e com evidências disponíveis para cada abordagem terapêutica. O acesso à informação de qualidade e a escolha de profissionais comprometidos com uma prática responsável fortalecem a confiança, promovem melhores resultados e reafirmam que o cuidado integral deve ser pautado pela segurança, pelo respeito e pela dignidade humana. 🌿

HPD - AMSK/Brasil