"Entre o que dizem e o que somos: um cuidado coletivo"
Em alguns momentos, somos atravessadas por olhares e palavras que não nos conhecem. Leituras externas, muitas vezes apressadas, tentam nos reduzir a categorias que não dão conta da nossa história, da nossa luta e daquilo que construímos juntas.
Isso pode doer.
Dói quando alguém fala sem escutar.
Dói quando tentam nos nomear sem reconhecer quem somos.
Dói quando o que é coletivo, vivido e construído com tanto esforço é tratado de forma superficial.
Mas é importante lembrar: nem todo olhar tem autoridade para nos definir.
Nós não começamos hoje.
Não somos uma ideia abstrata.
Somos trajetória, somos presença, somos construção concreta.
Somos mulheres que carregam saberes, histórias, pertencimentos e formas próprias de existir no mundo.
O que dizem sobre nós, sem nos conhecer, pode até nos atingir — mas não nos define.
Nossa força está naquilo que construímos juntas.
Na escuta que praticamos.
No respeito às nossas próprias formas de ser e organizar a vida.
Na coragem de existir a partir dos nossos referenciais.
Por isso, quando vier o incômodo, o aperto, a dúvida, que a gente possa se lembrar: nós sabemos quem somos.
E mais do que isso:nós seguimos.
Seguimos construindo, afirmando, nomeando a nós mesmas.
Seguimos criando caminhos onde antes não havia.
Seguimos, porque nossa existência não cabe em olhares externos — ela se afirma naquilo que fazemos, todos os dias.
Elisa Costa
Presidenta da AMSK/Brasil



