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domingo, 8 de dezembro de 2013

UMA CARTA PARA MANDELA



Pois é; você descansou Mandela;




Junto com você, vai surgindo um sentimento quase desesperador, daqueles que não sabemos explicar...as pernas ficam moles e dizemos; como assim???


Daí a gente senta e começa a ver nos noticiários as falas de líderes, o choro e a dança do país de origem, as bandeiras a meio mastro e as falas ... as falas são incômodas e são muitas. São terríveis e fazem com que a gente forme uma opinião de banalização horrível. Tudo era tranqüilo no país das maravilhas... ou ainda a mais famosa delas;  nos juntamos a todos os órfãos de Mandela. Quem dera fosse infimamente verdade.



Pronto; será assim: 


Serão dadas honras de chefe de estado, mas essas honrarias são ao homem de pele negra que ousou sonhar e fazer desse sonho uma realidade muito acima de sua cor de pele. Você chefiou nações de corações humanos, nações de pessoas sozinhas que não sabiam e não tinham a mínima idéia do que era respirar.


Salvador da pátria. Esquecem de dizer que em todas as nações que possuem ouvidos e coração, você resgatou dignidades, você salvou gerações muito além do seu território.


Um grande estadista. O maior de seu tempo, superior a reis e rainhas, chefes de grandes potencias e gente de estirpe. Sendo você mesmo e sendo simples assim.


Confesso a você que me sufoca e me irrita muito o mundo se arvorar em enviar gerações de representantes de governos para as fotos fúnebres. Você ainda é maior que as fotos que foram tiradas.


Você trouxe e trás o sentido perigoso de calmaria e a certeza do caminho, aquela que afugenta imperadores e mata leões. Você ainda rompe o grito do bruto que por não ter o domínio do ideal e do caráter, apela para o medo e o horror das armas, você estampa a vergonha alheia de todos eles, pelo simples fato de ainda existir. Não puderam matá-lo e ainda não o podem. 


Então penso; será que sentirão vergonha? Será que conseguirão suportar o peso da mediocridade em suas pernas enquanto as honras e cerimônias acontecem?

Você descansou fisicamente, fechou os olhos, para atravessar os vales e as planícies de sua existência de forma impar e como muito poucos o fazem. Tomara que sirva de exemplo para muitos; além e muito além de palavras.



Detrás da cela, você alimentou um exercito de pessoas apenas com o silêncio que a convicção verdadeira pode dar. Para quem não pode agir, resta à revolta, mas para você, restou a meta, o ideal e a convicção de que era possível ... e foi.


Tenho a certeza de que hoje, você leva consigo a dança e os tambores, mas que não passará nem perto das cerimônias ... não há redenção aos que ficam, apenas para os que souberam sentir o medo, mas continuaram. Das pedras manchadas e sujas que recebeu, você entrega a reluzente jóia negra, o límpido e bruto diamante negro, que mesmo tendo a força de cortar e rasgar a carne e o tempo, prefere reluzir a leveza da força e a clareza da imensidão.

Vá em paz senhor Mandela, pois nunca nos conhecemos, mas sempre nos respeitamos e amamos os mesmos arvoredos e as mesmas ruas. 


Seria muito mais fácil, convocar o mundo e a África para a guerra ... e vocês ganhariam, assim como é mais fácil bater do que apanhar; mas você soube simplesmente SER.

Confesso que desejo o tempo inquieto para que façamos o exercício de SER, além da podridão do estado, além da corrupção que suga a alma das ainda crianças. Espero que os governantes se envergonhem de pisar onde você pisou e reflitam que o mundo é muito além de seus umbigos e de suas restritas estaturas. 



O modelo vago da paz, pode ser usado para nortear seu nome, como o foi para Gandhi, Luter King e Tereza. Vão tentar dependurar seu retrato no hall de pessoas ditas ilustres e muitos tentarão se comparar a você. Você sabe disso, sempre soube disso não é? Mas é aí que você não se enquadra, como os outros também não se ambientam: os olhos, os mesmos olhos que gritam por paz, os olhos de muitas nações e de muitas cores, os olhos que viram sangue, água e azeite e que continuam abertos, mesmo que os anos ou os homens continuem querendo fechá-los.


Até qualquer dia, nós continuamos por aqui e espero que sejamos muitos os que ainda mantenham a capacidade de se indignar.


Adeus - Devlesa


Homeopatas dos Pés Descalços
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