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quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de Março - Dia Internacional da Mulher - Celebrar e Refletir


Em 1977, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de Março – Dia Internacional da Mulher. Muito se fala sobre os acontecimentos que deram origem a esta data. Mulheres russas que no início do século XX realizaram manifestações por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada de seu país na Primeira Guerra Mundial. Mulheres estadunidenses que, no final do século XIX, realizaram uma greve por condições dignas de trabalho e pela igualdade de remuneração com os trabalhadores homens, tendo sido violentamente reprimidas pela polícia.

A idéia de se definir uma data para dar ampla visibilidade às lutas das mulheres por seus direitos remonta a mais de um século, tendo surgido na alvorada do século XX, momento no qual as mulheres lutavam pelo direito ao trabalho e o direito ao voto. Porém, quando pensamos nas lutas das mulheres, nossa memória viaja para momentos ainda mais distantes na história, e nos lembramos também da resistência das mulheres negras ao processo de escravidão no Brasil e às perseguições sofridas por parteiras, curandeiras e benzedeiras, em razão de seus conhecimentos tradicionais sobre a arte de curar.

Independente dos fatos históricos que inspiraram a data, o Dia Internacional da Mulher é um momento de celebração pelas conquistas alcançadas até aqui – todas, fruto de muita luta... 

É também um dia para reflexão sobre os desafios que ainda se colocam a nossa frente, e com os quais nos deparamos todos os dias...

Hoje, no Brasil, segundo dados do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres são pouco mais de 50% da população e representam cerca de 49% da População Economicamente Ativa. São, em média, mais escolarizadas que os homens e ocupam, cada vez mais, posições de poder e decisão. Apesar destes avanços, continuam sendo discriminadas no mercado de trabalho: recebem remunerações inferiores às dos trabalhadores homens e estão em maior número nas ocupações informais e precárias, além de serem vítimas do assédio sexual e moral nos locais de trabalho. Seguem sendo vítimas da violência doméstica e de violência sexual. Sofrem severos agravos a sua saúde em razão da forte pressão que vivenciam na busca por conciliar suas responsabilidades no mercado de trabalho e as atividades domésticas e de cuidado, sem que uma atenção devida seja dada a este aspecto fundamental da vida em termos de políticas públicas. Amortecem diretamente o impacto da falta de creches, de escolas públicas com jornadas integrais, da falta de saneamento. Realizam todo este trabalho de reprodução da vida de forma invisível e não valorizada. Cuidam das crianças, da casa, da educação e da alimentação das pessoas, na qualidade de mães, donas de casa, trabalhadoras domésticas e professoras primárias. Cuidam dos doentes e idosos na qualidade de filhas, cuidadoras, enfermeiras. Com este trabalho, garantem que o chamado “mundo produtivo” funcione, tornam possível a reposição da força de trabalho e o aumento do PIB.

Os obstáculos enfrentados pelas mulheres para terem uma vida digna se tornam ainda mais profundos quando consideramos as desigualdades baseadas nas questões étnicas e raciais. Se as mulheres brancas enfrentam enormes desafios para superar a dinâmica da discriminação de gênero, mulheres negras, mulheres indígenas e mulheres ciganas enfrentam o desafio adicional de lidarem também e ao mesmo tempo com a lógica da discriminação racial e étnica. Hoje, no Brasil, as mulheres ciganas oscilam entre a total invisibilidade e os estereótipos mais discriminatórios. Sua imagem é divulgada ora de forma extremamente sexualizada, ora como pessoas manipuladoras e não confiáveis. Temos atualmente neste país um dos mais respeitados sistemas de estatísticas nacionais da América Latina e não sabemos dizer quantas mulheres de etnia cigana fazem parte de nossa população. Pouco se sabe sobre suas necessidades em termos de acesso à educação e formação profissional, aos documentos de identificação, aos cuidados a sua saúde. Os dicionários de língua portuguesa de maior circulação no Brasil continuam divulgando definições pejorativas no verbete cigano, como: pessoa que faz negócio para burlar; pessoa que tem a arte e graça para captar as vontades. A partir de pesquisa realizada em uma comunidade de ciganos no estado da Paraíba, em 1993, um dos mais respeitados pesquisadores sobre a realidade dos povos ciganos no Brasil, o antropólogo Franz Moonen, levanta a possibilidade de ocorrência de esterelizações de mulheres ciganas sem o devido consentimento.

Neste dia tão simbólico e importante para as mulheres, fazemos um convite à reflexão. Somos mulheres, somos muitas, somos diversas. Somos de diferentes raças e etnias, de diferentes idades e classes sociais. Temos uma contribuição enorme a dar para o crescimento e o desenvolvimento de nosso país. Não aproveitar isso, significa, além de desperdício, falta de visão política e de estratégia econômica. Significa, de fato, retardar os avanços em direção a um desenvolvimento sustentável. Para que possamos contribuir para o desenvolvimento, precisamos ter oportunidades iguais, precisamos ter os nossos direitos respeitados. Como afirma a filósofa Hannah Arendt, “a essência dos direitos humanos é o direito de ter direitos”. Para que isso se concretize, é necessário ter olhos para essa diversidade, visibilizá-la, considerá-la, reconhecê-la, respeitá-la. Apenas assim poderemos viver em um mundo mais justo e igualitário.

Celebrar e refletir...
Homeopatas dos Pés Descalços homenageia
todas as mulheres.
Homenageia também 
todos os homens que lutam pelos direitos das mulheres     
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